Archive for the ‘Video Didn't kill the radio star’ Category

Suportes de difusão mais utilizados

December 29, 2005

Internet assume-se como o suporte que é e será mais utilizado de acordo com as análises da RRadio Network e divulgado pela Audiographics.

Visual Radio

December 27, 2005

A Visual Radio pode transformar-se numa ameaça para a Rádio HD com a expansão do serviço da parceria entre a Nokia e a Hewlet Packard.

O conceito do sistema foi criado pela Nokia em 2003 e a nova proposta para a rádio permite que os ouvintes sintonizem uma estação em FM através do telemóvel e recebam informação interactiva (gráficos e imagens) sincronizada com a emissão de rádio.
O sistema Visual Radio redefine a experiência de escuta e emissão de rádio em FM associando novos conteúdos (texto, imagem, gráficos) que transformam a rádio analógica numa rádio multimédia, sem contudo, perder as caracteristicas tipícas do FM. Os textos e as imagens são sincronizados com os conteúdos da emissão e apresentados no ecrã do telemóvel. Tal como a televisão digital, a Rádio Visual dá acesso a novos conteúdos, facilitando a participação dos ouvintes, facilitando o comércio online e proporcionando uma experiência interactiva que enriquece a emissão radiofónica.
Este novo sistema ainda não está amplamente difundido nos Estados Unidos, prevendo-se que a sua entrada neste mercado se assuma como uma séria competição à Rádio Digital (HD), especialmente porque o sistema permite um feedback instantâneo para os anunciantes. A Visual Radio já tem acordos com estações de rádio de alguns países da Europa como a Finlândia, Alemanha, Suécia e Reino Unido, bem como a Oriente, em Singapura e na Tailândia. Nos Estados Unidos, a Visual radio associou-se à Infinity Radio e ainda não tem acordo com operador de telecomunicações. O serviço já está disponível na Finlândia, Singapura eTailândia. Prevê-se que ainda este ano esteja igualmente disponível na Turquia.
A Nokia apresenta já uma grande variedade de modelos de telemóvel que suportam a funcionalidade da Visual Radio e prevê que existam cerca de 100 milhões de aparelhos com este sistemaaté ao final do ano.
Em Fevereiro próximo a Visual Radio será uma das atracções do 3GSM World Congress que riá decorrer entre os dias 13 e 16 em Barcelona.

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December 12, 2005

Programas de antena aberta

Algo tem vindo a despertar-me a atenção: o tema do programa de antena aberta da Antena 1 e o tema do Fórum TSF têm sido, repetidamente, iguais…
Serão os critérios máxima actualidade e proximidade que prevalecem?
Retomo uma ideia de Gaye Tuchman que diz que seleccionar implica reconhecer que um caso é um acontecimento e não uma casual sucessão de coisas. Recordo igualmente Galtung e Ruge no estudo sobre noticiabilidade e os 12 factores para um acontecimento se transformar em notícia e a conclusão de que o processo em si, e a construção de uma notícia, resulta da negociação constante entre os profissionais da redacção, ou, como traduz Wolf, “(…) a noticiabilidade corresponde ao conjunto de critérios, operações e instrumentos com os quais os órgãos de informação enfrentam a tarefa de escolher, quotidianamente, de entre um número imprevisível e indefinido de factos, uma quantidade finita e tendencialmente estável de notícias” (Wolf, 1995: 168). A discussão em torno da selecção dos acontecimentos e dos valores/notícia não pode limitar-se às regras práticas intimamente ligadas às rotinas produtivas e aos valores profissionais. Em paralelo, o profissionalismo da actividade jornalística, habitualmente criticado no que respeita à objectividade, deve compreender igualmente a complexidade ideológica e o carácter político inerente à actividade, que influem na produção de sentido e na definição da notícia. Para citar Wolf, “(…) a simplicidade do raciocínio ajuda os jornalistas a evitarem incertezas excessivas quanto ao facto de terem ou não efectuado a escolha apropriada (…) os critérios devem ser flexíveis para poderem adaptar-se à infinita variedade de acontecimentos disponíveis” (Wolf, 1985:174).

Em teoria, dois programas de antena aberta à mesma hora com o mesmo tema, tem todo o sentido. Na prática, não contribuem para o alargamento da discussão na esfera pública.

Estes programas permitem a pluralidade de opiniões de grupo e a manifestação de posições individuais, numa exposição que não afecta a tomada de decisão e as relações de poder e, por isso, se revela uma participação cívica, sem grandes consequências. Contudo, são a clara manifestação das funções democráticas dos media. Funcionam tanto como tribuna, para as provocações que desafiam as concepções dominantes, e como tribunal, para os grupos sub-representados pelos media, que assim conseguem dar o seu contributo nos assuntos públicos mais importantes. Com dois programas com o mesmo tema, à mesma hora, cada estação abre a antena aos «seus» ouvintes, que se «ouvem» uns aos outros, independentemente do tema abordado, ao invés de procurarem a estação com o tema que mais lhes interessa. Uma estratégia de fidelização… Será??

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December 11, 2005
Afinal, a rádio não se faz só de playlists…
Uma leitura muito interessante no DN de hoje, sobre um programa de autor que vai resistindo e que marca a diferença no panorama português. Haverá certamente outros bons exemplos, mas hoje, o Viva a Música celebra 10 anos. Armando Carvalheda, homem da rádio, avançou alguns comentários que não resisto a trasncrever [ler]:

Sobre o programa: «”não há serviço público sem critério.” E, num programa de autor, os critérios e valores assumem sempre contornos pessoais. “Absolutamente. Assumo-o. Cantar em português, por exemplo, é para mim um critério fundamental (…)»

Sobre os profissionais: «”Hoje colocam-se em estúdio os técnicos certinhos, que não falhem o momento do gingle nem a playlist que alguém preparou. O bom profissional de rádio hoje já não é o autor, é o que é ágil de mãos para pôr o que lhe mandam pôr no momento certo. Os outros em que me incluo, daqui por dez anos são pré-história.”»

Sobre a rádio: «”Talvez por defeito de formação ou geração, é minha convicção profunda que a rádio não se pode confinar às quatro paredes de um estúdio, tem que ir ao encontro das pessoas. De outra forma não sobreviverá. Depois, em nome da música portuguesa. Se não for a rádio de serviço público a promovê- -la, que o fará?”»

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December 7, 2005

A rádio e as presidenciais

O título da notícia do DN de hoje “Rádios exigem respeito dos políticos” [ler] deixou-me a pensar sobre o processo de mediatização desta campanha para a presidência da República.
Sobre Cavaco Silva, o DN reproduz o comentário do seu assessor, «“O professor privilegia os debates televisivos e o contacto com o público”, disse, negando, no entanto, o desinteresse na rádio.”». De acordo com o que ouvi dos especialistas , sobre o desempenho esperado dos candidatos nos debates televisivos, nomeadamente Francisco Rui Cádima e Felisbela Lopes, fiquei com a ideia de que Cavaco Silva teria maiores dificuldades no frente-a-frente televisivo, pela sua expressão facial demasiado rígida e corporal que também não facilita a empatia com o público, contra um Mário Soares que tem a sublime capacidade de «falar para as câmaras». Assim, não teria Cavaco Silva a ganhar com debates radiofónicos, para no estúdio desconcertar o adversário, sem se preocupar com o que o público estaria a ver? Dizia ontem Luis Osório no seu comentário diário no RCP que Cavaco Silva, apesar de afirmar que não é um político, é efectivamente um homem com uma grande capacidade táctica, um estratega capaz de lançar soundbytes (note-se o «força desbloqueadora») para os media. Nada melhor que a aparente distância da rádio para, como afirma o seu assessor, o professor «contactar com o público».
A estrutura discursiva do meio rádio privilegia a palavra num sistema altamente emotivo, imediato, vibrante e pessoal, ao mesmo tempo que a repetição dos conceitos ajuda a transmitir a ideia que se pretende comunicar, auxiliada por uma grande naturalidade de expressão.
A flexibilidade da rádio coloca-a num patamar que nenhum outro meio de comunicação social consegue atingir. Acessibilidade, instantaneidade, simultaneidade e rapidez são aspectos característicos, a par com o tom pessoal da mensagem, a heterogeneidade e rápida substituição das mensagens, favorecida pelo uso de textos curtos em transmissões directas ou gravadas. Recordemos, para este efeito, a história da política mundial. Franklin Roosevelt foi eleito Presidente da República em 1932 e, a partir de 1936 passou a usar a rádio para se dirigir à população. A história está repleta de bons exemplos de propaganda: Lenine não descurou esta técnica e Trostsky usou a rádio para se dirigir às massas. Sem a rádio, nem Hitler ou o general De Gaulle teriam conseguido desempenhar o seu papel histórico com tanta relevância. Enquanto Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels controlava a rádio, os jornais e as revistas, de forma a que todos eles veiculassem a versão nazi dos acontecimentos. Adolf Hitler foi brilhante na manipulação dos espíritos. Considerava que tinha sido a palavra falada a responsável por grandes transformações históricas, no sentido em que a emoção da voz humana consegue facilmente conglomerar as massas. Teria Hitler conseguido o mesmo pela televisão? Certamente que não. É conhecido o génio de Adolf e a sua dificuldade nas relações humanas que, a par com a sua expressão facial, teriam dificultado qualquer espécie de debate na televisão.
Longe do panorama comunicacional da actualidade, a sua intervenção neste campo revestiu-se de outros parâmetros, cujo interesse era exclusivamente político. Ao reconhecer que «a mais descarada mentira sempre deixa traços, embora reduzida a nada» conseguiu construir uma máquina propagandística que suportou a ascensão de uma doutrina político-social de carácter totalitário, baseada em critérios de superioridade de raça, aceites pela larga maioria dos alemães. O eixo desta comunicação engendrada e constante, foi a rádio.
Tal como Hitler e Mussolini, também Salazar compreendeu a importância da rádio para a difusão dos discursos políticos. A rádio, apesar de estar ainda em fase de amadurecimento, ultrapassava a imprensa pela capacidade de penetração das ondas e pela facilidade de acompanhamento da sua emissão. Num país onde a maioria das pessoas eram analfabetas, Salazar encontrou na rádio o melhor instrumento de comunicação para chegar a grandes camadas da população que, por hábito, se reuniam em torno dos aparelhos receptores. Hoje, a alfabetização deixou de ser um problema, contudo, encontramos o público desinteressado, apático e com uma fraca participação política. Repare-se, para o caso, que no dia do primeiro debate televisivo, «foi a ficção nacional da TVI que, mais uma vez, arrebatou as primeiras posições no ranking de audiências» [ler]. A notícia do Meios e Publicidade acrescenta ainda que «a novela Ninguém como Tu foi o programa mais visto, (…), seguindo-se-lhe a nova aposta da ficção nacional Dei-te Quase Tudo (…). O primeiro debate Presidenciais 2006, que opôs Manuel Alegre e Cavaco Silva, transmitido pela SIC, garantiu a terceira posição».
Na rádio, é mais fácil acompanhar um debate ou um programa dedicado à campanha política, dado que o público consegue desenvolver outras actividades ao mesmo tempo que vai escutando a emissão. Talvez por isso, a rádio tenha tanto impacto na opinião pública. Além disso, escuta-se muito a rádio em circulação no automóvel e, apesar de serem as estações musicais as que têm maiores índices de audiência, este tipo de programas, debates ou programas de antena aberta contribuem activamente para melhorar o interesse e a participação cívica e política dos cidadãos. Ainda antes de chegar ao poder, já os discursos de Salazar eram radiodifundidos, possibilitando o acompanhamento por um número muito maior de cidadãos. “Meus senhores: se não falha este pequeno aparelho que parece estremecer às menores vibrações da minha voz, eu estarei falando neste momento à maior assembleia que em Portugal alguma vez se congregou a escutar a palavra de alguém” (DISCURSOS, vol. I: 367.). Beneficiando do impacto da rádio, Salazar utilizou a radiodifusão para difusão dos seus discursos. O ouvinte, que escutava em casa, deixava-se seduzir pelas palavras do orador, acompanhando sem estar presente, ao mesmo tempo que ao acontecimento decorria e a comunicação era efectuada.
Ainda sobre esta questão, o inquérito online do Público «Os debates televisivos entre os candidatos presidenciais contribuem para o seu voto?» revela (no dia 7/12/05 às 16h15) que dos 1652 votantes, 60% (mais de mil pessoas) afirma que não…

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December 7, 2005
Postcast Starlight
O podcast é de facto, um fenómeno que, sendo semelhante ao dos blogues, acrescenta a voz, donde, a mística da rádio. O poder da palavra, o mistério da voz ou a surpresa e a tentativa de compreensão da lógica das sequências musicais aproxima o podcast da rádio e desenvolve um novo modelo de comunicação semelhante ao que surgiu com as rádios piratas há alguns anos atrás.
As rádios livres, ou rádios piratas, baseavam-se no improviso, criando um cenário de comunicação de novidade distante dos formatos de comunicação institucional da maior parte das rádios. Conquistaram o direito a um espaço próprio e irromperam com um novo tipo de comunicação, alternativo ao sistema radiofónico legalizado. Surgiram com o objectivo de privilegiar os interesses e as necessidades culturais, sociais e educacionais das regiões que serviam, e que as rádios nacionais não tinham interesse ou não podiam cobrir, ao mesmo tempo que priviligiaram a comunicação com os ouvintes. Tal como o podcast actualmente faz.
E se por um lado, a multiplicidade da produção está disseminada no virtual, por outro, há já casos de sucesso. A dica é do Ponto Media (05.12.05) que fez referência ao artigo da Wired sobre dois novos directórios de podcast: «Podcast Chaos Be Gone», a partir do qual descobri outro, que se prende com a questão do sucesso que o podcast está a ter.
No artigo, «A Podcast Star is Born», conta-se a história de um programa de podcast (podshow) que tem vindo a conhecer enorme sucesso nos EUA, sendo um dos mais populares poscasts na web. Yeast Radio, conduzido por um conhecido drag queen de Chicago, resulta num género que os norte americanos conhecem e gostam: ultrajante, provocador, o estilo «Howard Stern» ou «Wendy Williams» chegou também ao podcast. Madge Weinstein apresenta-se como a lésbica de serviço, num programa peculiar que fala dos seus romances, opina sobre política e tem conversas telefónicas em directo durante o programa.
Outro exemplo, também nos EUA, é o da NPR (National Public Radio) que se tornou líder no download de programas em apenas dois meses. O artigo da Online Journalism Review [ler] explica que, depois de receber, durante vários meses, mensagens de correio electrónico dos seus ouvintes pedindo podcasts, a NPR resolveu lançar podcasts no final de Agosto e que ao fin de seis dias do lançamento do NPR’s “Story of the Day”, alcançaram o primeiro lugar dos downloads efectuados no iTunes. Em Novembro, onze podcasts da NPR mantiveram-se no Top 100 do iTunes.
Este é um fenómeno ao qual a rádio em FM não pode deixar de estar atenta, pois a possibilidade de gravar o que mais nos interessa, para ouvir quando nos é mais conveniente, assume-se como uma séria ameaça à rádio «ruído de fundo» e pode fazer renascer o espírito da rádio «de programas» que a tendência mais comercial da rádio foi abandonando.

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December 7, 2005
Notícias contra a música
Num horário dominado pela música, resultado da dinâmica social e dos media que deixa para o final da noite a liderança do consumo mediático da televisão, Internet e videojogos, a Renascença avança com um programa de notícias.
De acordo com dados estatísticos da Marktest, é entre as 21h e as 23h que a televisão tem maiores índices de audiência, da mesma forma que os índices da Nielsen indicam que a navegação online aumenta no domicilio, a partir das oito da noite. Pela lógica, será também a esta hora que os jogos assumem preponderância na ocupação dos tempos livres. A rádio hoje tem muitos adversários. Nela própria, pela multiplicidade de canais e pelos outros meios de comunicação. Este fenómeno tem conduzido à segmentação da rádio em diferentes estações e géneros para ir ao encontro das necessidades das pessoas. Na generalidade, a rádio é essencialmente informativa de manhã, com assuntos de utilidade como o tempo e o trânsito, ao passo que a música concorre com a informação e alguns programas de antena aberta para satisfazer os ouvintes durante as horas a que normalmente não assistem televisão. Nos restantes horários, a rádio deixou-se dominar pela música.
A Edição da Noite na Renascença apresenta-se como um espaço diário de notícias, com tempo para analisar os casos e os factos que fazem a actualidade. Numa estratégia que marca a diferença no panorama nacional, a Renascença regressa às origens da rádio e coloca, neste horário habitualmente desleixado pelas estações nacionais, aquilo que há muitos anos atrás dava força e dinâmica à rádio, para além de, na altura, também garantir audiências: as notícias. Antes da televisão chegar a Portugal, a rádio era o meio dominante. Na década de 50 e 60, as manhãs da rádio tinham menores índices de audiência, à noite a televisão não emitia, razão pela qual as noites da rádio tinham grande importância. A Renascença retoma agora o modelo, numa atitude contra-corrente que dá à rádio maior importância até às 20h, dependendo do movimento pendular que leva as pessoas de volta às zonas residenciais e do início dos telejornais nos canais de televisão generalistas nacionais.

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December 7, 2005

A rádio e as presidenciais

O título da notícia do DN de hoje “Rádios exigem respeito dos políticos” [ler] deixou-me a pensar sobre o processo de mediatização desta campanha para a presidência da República.
Sobre Cavaco Silva, o DN reproduz o comentário do seu assessor, «“O professor privilegia os debates televisivos e o contacto com o público”, disse, negando, no entanto, o desinteresse na rádio.”». De acordo com o que ouvi dos especialistas , sobre o desempenho esperado dos candidatos nos debates televisivos, nomeadamente Francisco Rui Cádima e Felisbela Lopes, fiquei com a ideia de que Cavaco Silva teria maiores dificuldades no frente-a-frente televisivo, pela sua expressão facial demasiado rígida e corporal que também não facilita a empatia com o público, contra um Mário Soares que tem a sublime capacidade de «falar para as câmaras». Assim, não teria Cavaco Silva a ganhar com debates radiofónicos, para no estúdio desconcertar o adversário, sem se preocupar com o que o público estaria a ver? Dizia ontem Luis Osório no seu comentário diário no RCP que Cavaco Silva, apesar de afirmar que não é um político, é efectivamente um homem com uma grande capacidade táctica, um estratega capaz de lançar soundbytes (note-se o «força desbloqueadora») para os media. Nada melhor que a aparente distância da rádio para, como afirma o seu assessor, o professor «contactar com o público».
A estrutura discursiva do meio rádio privilegia a palavra num sistema altamente emotivo, imediato, vibrante e pessoal, ao mesmo tempo que a repetição dos conceitos ajuda a transmitir a ideia que se pretende comunicar, auxiliada por uma grande naturalidade de expressão.
A flexibilidade da rádio coloca-a num patamar que nenhum outro meio de comunicação social consegue atingir. Acessibilidade, instantaneidade, simultaneidade e rapidez são aspectos característicos, a par com o tom pessoal da mensagem, a heterogeneidade e rápida substituição das mensagens, favorecida pelo uso de textos curtos em transmissões directas ou gravadas. Recordemos, para este efeito, a história da política mundial. Franklin Roosevelt foi eleito Presidente da República em 1932 e, a partir de 1936 passou a usar a rádio para se dirigir à população. A história está repleta de bons exemplos de propaganda: Lenine não descurou esta técnica e Trostsky usou a rádio para se dirigir às massas. Sem a rádio, nem Hitler ou o general De Gaulle teriam conseguido desempenhar o seu papel histórico com tanta relevância. Enquanto Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels controlava a rádio, os jornais e as revistas, de forma a que todos eles veiculassem a versão nazi dos acontecimentos. Adolf Hitler foi brilhante na manipulação dos espíritos. Considerava que tinha sido a palavra falada a responsável por grandes transformações históricas, no sentido em que a emoção da voz humana consegue facilmente conglomerar as massas. Teria Hitler conseguido o mesmo pela televisão? Certamente que não. É conhecido o génio de Adolf e a sua dificuldade nas relações humanas que, a par com a sua expressão facial, teriam dificultado qualquer espécie de debate na televisão.
Longe do panorama comunicacional da actualidade, a sua intervenção neste campo revestiu-se de outros parâmetros, cujo interesse era exclusivamente político. Ao reconhecer que «a mais descarada mentira sempre deixa traços, embora reduzida a nada» conseguiu construir uma máquina propagandística que suportou a ascensão de uma doutrina político-social de carácter totalitário, baseada em critérios de superioridade de raça, aceites pela larga maioria dos alemães. O eixo desta comunicação engendrada e constante, foi a rádio.
Tal como Hitler e Mussolini, também Salazar compreendeu a importância da rádio para a difusão dos discursos políticos. A rádio, apesar de estar ainda em fase de amadurecimento, ultrapassava a imprensa pela capacidade de penetração das ondas e pela facilidade de acompanhamento da sua emissão. Num país onde a maioria das pessoas eram analfabetas, Salazar encontrou na rádio o melhor instrumento de comunicação para chegar a grandes camadas da população que, por hábito, se reuniam em torno dos aparelhos receptores. Hoje, a alfabetização deixou de ser um problema, contudo, encontramos o público desinteressado, apático e com uma fraca participação política. Repare-se, para o caso, que no dia do primeiro debate televisivo, «foi a ficção nacional da TVI que, mais uma vez, arrebatou as primeiras posições no ranking de audiências» [ler]. A notícia do Meios e Publicidade acrescenta ainda que «a novela Ninguém como Tu foi o programa mais visto, (…), seguindo-se-lhe a nova aposta da ficção nacional Dei-te Quase Tudo (…). O primeiro debate Presidenciais 2006, que opôs Manuel Alegre e Cavaco Silva, transmitido pela SIC, garantiu a terceira posição».
Na rádio, é mais fácil acompanhar um debate ou um programa dedicado à campanha política, dado que o público consegue desenvolver outras actividades ao mesmo tempo que vai escutando a emissão. Talvez por isso, a rádio tenha tanto impacto na opinião pública. Além disso, escuta-se muito a rádio em circulação no automóvel e, apesar de serem as estações musicais as que têm maiores índices de audiência, este tipo de programas, debates ou programas de antena aberta contribuem activamente para melhorar o interesse e a participação cívica e política dos cidadãos. Ainda antes de chegar ao poder, já os discursos de Salazar eram radiodifundidos, possibilitando o acompanhamento por um número muito maior de cidadãos. “Meus senhores: se não falha este pequeno aparelho que parece estremecer às menores vibrações da minha voz, eu estarei falando neste momento à maior assembleia que em Portugal alguma vez se congregou a escutar a palavra de alguém” (DISCURSOS, vol. I: 367.). Beneficiando do impacto da rádio, Salazar utilizou a radiodifusão para difusão dos seus discursos. O ouvinte, que escutava em casa, deixava-se seduzir pelas palavras do orador, acompanhando sem estar presente, ao mesmo tempo que ao acontecimento decorria e a comunicação era efectuada.
Ainda sobre esta questão, o inquérito online do Público «Os debates televisivos entre os candidatos presidenciais contribuem para o seu voto?» revela (no dia 7/12/05 às 16h15) que dos 1652 votantes, 60% (mais de mil pessoas) afirma que não…

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December 6, 2005

Rádio Presidenciais

A iniciativa de criar uma rádio dedicada às presidenciais parece-me bastante interessante e revela, uma vez mais, as potencialidades que este meio encontra quando faz um uso das tecnologias que ultrapassam o mero instrumento de trabalho ou de difusão sonora.

O serviço conjunto do RCP, Rádio Comercial e Cotonete, do grupo MCR, constitui-se como um «Serviço inovador e alternativo de informação sobre as Presidenciais. Notícias, comentários, especiais, entrevistas, debates, directos e Fórum.»

Principais Características

A rádio está disponível 24 horas por dia e os espaços mortos são animados com música variada.

Nas páginas do RCP, Comercial e Cotonete encontramos a ligação para este projecto que inclui uma Edição Especial de duas horas diárias para fazer o ponto da situação. Nuno Rogeiro opina sobre os acontecimentos mais relevantes, falando ao telefone com Luís Osório. Por seu turno, Luis Osório opina diariamente sobre as presidenciais, num momento, como é indicado na página, para a «descodificação do discurso político será a base para este espaço de opinião». Esta rádio tem também um Jornal de Campanha que se traduz num noticiário com o resumo do dia, e um espaço de humor ao início de cada hora. Na página, há também hiperligações para os blogues sobre as presidenciais e páginas relativas às candidaturas menos mediáticas, como sejam as de Manuel João Vieira, José Maria Martins, Botelho Ribeiro, Gonçalo da Câmara Pereira ou Manuela Magno. Há também a rádio dos candidatos Cavaco Silva, Francisco Louçã, Garcia Pereira, Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre e Mário Soares.
A Interactividade na Rádio Presidenciais

A rádio presidenciais apresenta-se como uma iniciativa que pode complementar a cobertura e a informação dos restantes media, revela uma capacidade de organização e gestão de recursos que outros grupos de comunicação ainda não conseguiram ter. No geral, a ideia desta rádio parece-me bastante bem. Contudo, falha por não explorar as possibilidades de interactividade e resposta em tempo real que a Internet oferece.

Pelas suas características técnicas e discursivas, a rádio é o meio de comunicação social com maiores potencialidades de interacção. A univocidade da comunicação radiofónica tem sido uma das características mais criticadas ao longo da sua história, face às possibilidades de interactividade que o meio oferece. De facto, a rádio em FM nunca explorou em absoluto as possibilidades de comunicação recíproca que a rádio pode desenvolver.

A interactividade na rádio tem estado muito associada à ideia de interacção, de partilha e comunhão, revelada pela participação do ouvinte na construção da narrativa radiofónica. Se, por um lado, através da Internet, a rádio desenvolve esta capacidade sustentada pelos sistemas multimédia de natureza interactiva que permitem que o utilizador controle a forma como recebe a informação, decidindo o que vai explorar e como o vai fazer, por outro, não está a ser dada oportunidade aos ouvintes de participarem na construção da própria rádio, dado que as opiniões para o Fórum Presidenciais, um programa de antena aberta desta estação online, se faz apenas via telefone. O Fórum decorre ao longo de toda a emissão, visto que as opiniões deixadas ao telefone são integradas na programação. Para os mais distraídos (e retomo a ideia de atenção selectiva) pode , confundir-se a opinião do ouvinte com todas as outras que podem surgir nesta estação e que correspondem às categorias de comentador, jornalista ou candidato.

Na Internet, a rádio proporciona ao ouvinte/utilizador a possibilidade de interagir com a informação através do hipermédia. Os recursos do hipermédia representam a ligação entre o público e a estação, num processo de intercâmbio da produção dos conteúdos da rádio. O ouvinte passa a fazer parte da construção das emissões, aproximando-se do conceito de produtor da comunicação. Falta um espaço na página para a participação escrita, ou um espaço mediado de opiniões de ouvintes para criar um verdadeiro Fórum. Através dos sistemas de comunicação multimediática, a rádio pode enveredar por um caminho de maior interactividade, utilizando as diversas ferramentas que estimulam a troca entre ou ouvintes e a estação. Um exemplo disso são as salas de conversação entre ouvintes, entre ouvintes e profissionais da estação e entre ouvintes, profissionais da estação e convidados, numa espécie de diálogo aberto, conduzido pelos ouvintes e moderado pelos profissionais da rádio. Isto obrigaria não só a afectação de recursos humanos para a produção da estação, tal como está a ser feito, como também à afectação de recursos humanos para a animação da estação. E isso, já é mais complicado…

Outras reflexões

Esta é uma iniciativa interessante que conduz a reflexão em diferentes direcções. Por exemplo:

Será que se justifica tamanha mediatização em tempo de pré-campanha?

No geral, os media discutem a campanha e a rádio chega ao ponto de avaliar a própria cobertura mediática das presidenciais, com programas de antena aberta a discutirem, antecipadamente, os debates presidenciais.

Será de facto necessária a constante descodificação do que vai acontecendo?

A questão, neste caso, não se prende apenas com a rádio, muito menos com este projecto de rádio presidenciais, mas com uma tendência cada vez mais evidente de excesso de opinião e comentário, descodificação e explicação dos acontecimentos, provando talvez, o lento caminhar para o embrutecimento das audiências.

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December 5, 2005
Um sinal nas manhãs da rádio
As crónicas Sinais, de Fernando Alves, passam certamente despercebidos a muitos dos ouvintes das manhãs da TSF que, na fúria do trânsito ou na pressa dos preparos familiares matinais, não escutam com a devida atenção o momento de quase poesia que todas os dias surge nesta emissora. Aparecendo imediatamente às informações de trânsito antes das nove horas, sofre seguramente com o fenómeno de atenção selectiva da generalidade dos ouvintes. Ainda assim, recomenda-se a escuta, particularmente no dia de hoje.
A crónica desta segunda feira é dedicada à rádio. À rádio enquanto farol. A rádio que, inesperadamente, recuperou todo o seu poder de comunicação, a sua utilidade e ampliou a sua capacidade de difusão nas ilhas Canárias.
Aqui fica a hiperligação para escutar: http://tsf.sapo.pt/online/radio/index.asp?pagina=Arquivo